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O título “Êxodo”, dado ao segundo livro do Pentateuco, deve-se ao fato de que nele é referido, como tema central, a libertação do povo de Deus, do Egito, onde estiveram, em condição servil, desde quando José abrigara, os descendentes de Abraão, que lá adquiriram conteúdo cultural suficiente para que pudessem realizar a obra que Deus lhes reservara. No Novo Testamento Jesus refere – se ao Êxodo como o “livro de Moisés”, sendo que tal título é devido ao evento da saída do povo de Deus do Egito, registrado nos quinze primeiros capítulos, cuja descrição refere-se a fatos concernentes, desde a saída do povo hebreu, do Egito,em cerca de 1450-40 a C., até a morte de Moisés, em cerca de 1406, a C.
A saída dos hebreus, do Egito é fato que representa uma das maiores, senão a maior epopéia da Antiguidade do Oriente Próximo, no período:- a transladação de todo um povo, através do deserto, praticamente desprovidos de recursos materiais.
A ascensão de José, da condição de escravo, ao exercício do poder, na maior potência da época, pode ser explicada pelas condições favoráveis, para a família de Jacó, criadas pela dominação dos hicsos, povos invasores, também semitas, que dominaram o Egito de 1700 a 1550 a C., e foram os expulsos pela 18ª dinastia à qual pertencia, o faraó do Êxodo, possivelmente Tutmés I (1504-1450 a.C.), ou Amenhotep II (1450 – 1425 a C). Esta datação permitiria, uma possível relação dos imigrantes israelitas com grupos, de também invasores, os habiru, grupo social ou ocupacional, comumente referida em textos, a partir de 2000 a.C., e que depois, tornaram-se párias políticos, na Palestina. Gênesis 14.12-13.
A preservação, por escrito, das palavras da aliança de Deus, tem fundamental importância para a Teologia do Êxodo. Deus, não somente verbaliza as palavras a Seu povo, no Sinai, mas as dá também n’Os Dez Mandamentos em tábuas de pedra.
A data e a rota do Êxodo tem sido tópico também de consideráveis debates. A cronologia bíblica deste acontecimento, realizado há 480 anos antes do reinado de Salomão, I Reis 6.1. Isto o coloca próximo 1440 a.C. Tal datação é coerente com Juizes 11.26, onde se declara haverem decorridos 300 anos, desde a entrada de Israel, em Canaã. Segundo alguns autores, o faraó do Êxodo seria Tutmés III, ou Amenhotep II. Outros já aceitam Ramsés II (1340-1236 a.C.). As questões apresentam-se difíceis, em relação a datas, uma vez que, os calendários, nem sempre, eram adequados uns aos outros, e, algumas sociedades, adotavam calendário lunar, os hebreus, e outros calendário solar, como os egípcios. A data do evento, apoiada por descobertas mais recentes, na Transjordânia e uma nova avaliação da destruição de Jericó, têm enfraquecido esta alternativa, em favor de data mais tardia.
Diversos temas importantes destacam-se no Êxodo: - Primeiro, o livro relata o livramento do povo por Deus, para cumprir Sua aliança com os pais - O segundo elemento importante é a revelação da Aliança no Sinai, onde foram especificados os termos da aliança entre Deus e Seu povo,resgatado de forma poderosa, no Sinai , e manifestando Sua graciosa condescendência, ao habitar o tabernáculo, em meio a Seu povo pecador.
Crucial, na narrativa é o papel de Moisés, como mediador, entre Deus e o povo. Moisés tornou-se o mediador do juízo e aquele, por meio de quem, Deus libertou Israel. E, como servo escolhido, Moisés foi o mediador do juízo de Deus, contra o Egito e aquele, por meio de quem, Deus libertou Israel.
Através de Moisés Deus manifestou-se no Sinai. Como Pastor, guiou Seu povo através do deserto, até a Terra Prometida. Mas, o papel de Moisés , na história da Redenção, aponta diretamente para Cristo, o Mediador da Nova Aliança. A Lei de Deus revela Sua natureza santa e requer santidade do povo, no meio do qual Deus há de habitar. As regulamentações cerimoniais estabelecem padrões, para a vida e o culto de Israel, como povo escolhido, em cujo meio Deus vive e governa Seu reino, entre as nações. É o Deus Salvador, que redime Seu povo.
Características Sociais
A palavra "judeu" vem do aramaico yéhud´y, aplicado, inicialmente, aos habitantes do reino de Judá e, mais tarde, aos israelitas, que imigraram para a província da Judéia, ampliando-se a significação estrita e etmológica, de “filhos de Judá”. O fato deveu-se à divisão em dois reinos, principalmente durante o cativeiro de Babilônia, quando “judeu” passou a designar toda pessoa que pertencesse ao povo de Israel ou quem, pela tradição, se considerasse, etnicamente, ligado a uma das 12 tribos dos filhos de Jacó.
Na reconstituição da história dos hebreus utilizam-se os relatos existentes na Bíblia, as narrativas sobre os nômades, os arquivos reais de Mari e os documentos da chancelaria egípcia de Amarna, promovendo grande segurança aos relatos deste passado histórico.
As fontes tradicionais do Gênesis restringem-se ao Pentateuco, o que torna difícil, em muitos pontos, essenciais, interpretar a fase de constituição do povo hebreu.
O processo de reconstituição histórico combina narrativas bíblicas com os dados fornecidos pelas civilizações que estiveram em contato ou mantiveram alguma forma de relação com os hebreus, durante esse período de difícil reconstituição, o de sua história mais remota.
O nomadismo primitivo propiciou uma organização baseada na divisão tribal, sob a chefia de patriarcas. O recurso a documentos como os dos Arquivos Reais de Mari, e os da Chancelaria Egípcia, de Amarna, torna mais rigorosa, historicamente a reconstituição deste passado. Grande número de documentos, datados, da época suméria, na Mesopotâmia, parece indicar já no terceiro milênio, a presença de tribos hebraicas. Tanto que os documentos da época registram qualificativo habbattu, isto é, “errante’’, ou “Condutor de burros” e provem de habatu, isto é, ‘vaguear”. Interessante é a designação “coberto de pó”, ou o que atravessa o deserto. Note-se que os próprios hebreus, segundo antigas fontes, chamavam-se, a si próprios, ibri, isto é, “o que atravessa”, ou literalmente, “do além” – nômade - os textos orientais demonstram serem componentes de um tronco étnico perfeitamente individualizado.
As tábuas de Mari, e de Ugarit, assim como as inscrições egípcias, (que os denominam apru), apresentam-nos exercendo ocupações diversas, na qualidade de empregados domésticos, trabalhadores em pedreiras, soldados mercenários, etc. No entanto, claramente, são sempre, tratados como estrangeiros, apartados de suas tribos.
Maria Christina de Caldas Freire Rocha é membro da PIBRJ e doutoura em história da antigüidade pela UFF
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