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Em meio às muitas afirmações chocantes e desestabilizadoras de Paulo, 1Timóteo 3.15, chamou-me a atenção, recentemente devido à sua inesperada descrição da Igreja como “coluna e firmeza da verdade.” O que é marcante, é claro, não é a crença de Paulo, na possibilidade da compreensão e do reconhecimento da verdade, mas sim que a Igreja, além das Escrituras, seja chamada de “coluna e firmeza da verdade”. O uso que Paulo faz de imagens que remetem ao Templo diz respeito a seu propósito de instruir a igreja em Éfeso em como conduzir-se e organizar-se como a Igreja do Deus vivo, aquele lugar onde a Verdade transforma-nos em meio à assembléia dos santos, pelo poder do Seu Espírito. Mas o que significa para a Igreja ser e viver como a “coluna e firmeza da verdade de Deus”?
A declaração de Cristo de que Ele era a verdade deve servir de ponto de referência, João 14.6. A Igreja só pode ser a “coluna e firmeza da verdade” porque é o corpo de Cristo, aquele ajuntamento dos santos cuja proclamação e testemunha devem fielmente incorporar a auto-revelação de Deus, em Cristo.
Sendo assim, já que a revelação de Deus em Cristo foi uma, ligada a esta pessoa apenas e a nenhuma outra, a proclamação e testemunho da Igreja devem ser um, fundados na boa nova da inauguração de reino de Deus, em Cristo. Conseqüentemente, a Igreja deve buscar àquela unidade de fé que deriva da sua submissão ao senhorio de Cristo: não há judeus ou gregos neste corpo, escravos ou pessoas livres, homens ou mulheres, “tucanos” ou petistas, cariocas ou paulistas, brasileiros ou argentinos. Não deixamos de ser qualquer destas coisas, mas a sua importância em definir nossa identidade, é destronada pelo Evangelho.
Já que a revelação de Deus, em Cristo foi santa, também a nossa proclamação e o nosso testemunho devem ser marcados por uma crescente conformidade com o Evangelho, que pregamos. Nós também somos consagrados a viver e incorporar este Evangelho através do mesmo Espírito que trabalhou em Cristo Jesus. Nosso testemunho também deve ser universal, pois a revelação de Deus, em Cristo foi proferida para todas as nações após haver sido proclamada em Israel e os discípulos de Cristo terem sido comissionados a proclamar a Palavra além da Judéia e Samaria. Finalmente, como a revelação de Deus, em Cristo foi compreendida pelos apóstolos como um chamado para serem Suas testemunhas, nós devemos nos submeter à autoridade de Seu ensino apostólico e seguir Seu estilo de vida, levando o Evangelho aos limites da terra.
A vocação da Igreja é, de fato, elevada: proclamar e incorporar aquela única, santa, universal e apostólica revelação manifestada em Cristo Jesus e confiada a nós, Seu povo, e assim completar nossa vocação como coluna e firmeza da verdade de Deus.
Finalmente, a Igreja não pode dar- se ao luxo de viver sua vocação, apenas em parte. Ela não pode acreditar que sua santidade só pode ser preservada ao custo de sua unidade (o padrão lamentável de muitos cismas passados) ou que sua unidade só pode ser preservada ao custo de sua santidade (o argumento lamentável de muitos que continuam a dividir a Igreja). A reconciliação da unidade e santidade em Cristo, o Senhor e cabeça da Igreja, que governa sua vida por meio do Espírito, deve servir como razão suficiente, para desmascarar esta falsa dicotomia. Embora a perfeita união, santidade, universalidade e apostolicidade da Igreja só será revelada em nosso meio na gloriosa adoração dos santos diante do trono do Cordeiro, é esta esperança e vocação que nos constrangem a caminhar para o objetivo de sermos o rebanho imaculado de Cristo, a “coluna e a firmeza da verdade”.
John McAlister é arcediago na Igreja Pentecostal de Nova Vida – Catedral, organizada pelo seu avô Bispo Roberto McAlister e atualmente liderada pelo seu pai Bispo Walter McAlister Jr. Ele é Mestre em Teologia pela Wheaton College desde dezembro de 2005.
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